Quando o branding ofusca a marca e vice-versa.

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Usar ferro quente para marcar o gado é uma técnica milenar para delimitar propriedade, um método simples de definir sua marca. Os egípcios costumavam deixar sinais em animais de cultivo para evitar perdas desde 2700 a.C. Esquentar metal e queimar uma pele para definir posse é provavelmente um dos primeiros métodos de Branding.

Com a evolução de novos mecanismos de gestão de negócios no advento da Revolução Industrial surge não apenas o embrião do que seria o mercado de hoje, como também os primeiros traços da livre concorrência de Adam Smith, que abriria espaço para a grande busca por diferenciação de industriais e prestadores de serviço. Os métodos de governança corporativa se sofisticaram e, por tabela, também a compreensão do que é uma marca. Deixou de ser apenas um assunto de design para estar intimamente ligada à forma de se fazer negócios.
Hoje fazer a gestão de uma empresa a partir de uma perspectiva de marca, ou seja, fazer Branding, é uma tarefa complexa de gerenciamento de ativos tangíveis e intangíveis.

Organizações são organismos vivos, sejam elas empresas, ONGs, famílias ou bandas de rock. Como um ser vivo, uma empresa deve ter pleno auto-conhecimento, pois a partir do momento que se conhece muito bem, uma corporação pode realizar seus objetivos com mais assertividade e com mais qualidade, afinal das contas as pessoas que compõem suas equipes terão mais clareza de ‘o que’ e ‘como’ fazer. Cada passo da organização será norteado por objetivos transparentes e compartilhados entre todos, o que faz com que os membros da equipe sejam impelidos a tomar decisões guiados pela forma de pensar da própria empresa. Um mesmo profissional tomaria decisões diferentes quando imerso em uma cultura Google do que quando vivendo em uma cultura Ambev, por exemplo. Não exatamente que a pessoa seja forçada a decidir algo de uma forma ou outra, mas a cultura da empresa leva o indivíduo a fazer escolhas coerentes com as preferências da marca.
Isso é reflexo da identificação dos ideais defendidos pela empresa pelos profissionais que a representam, que se tornam mais apaixonados pela sua causa e levam a marca como seu sobrenome. Vejo amigos que deixam de ser o Fulano de Tal para serem o Fulano do Google, da Unilever, da Coca-Cola.

Marca é cultura. É uma forma de pensar que define um jeito de fazer. Considerando que a empresa é o organismo, a marca seria sua alma, seu jeito de ver o mundo que a faz agir de uma forma ou de outra. O Branding busca entender a essência deste ser vivo, identifica suas incoerências e corrige seus hábitos hoje para colher resultados de longo prazo. Deve contemplar ações de curto e longo prazo, necessariamente.
A gestão de uma empresa a partir do Branding é assunto diário da agenda do presidente e se reflete na rotina dos escalões mais operacionais. Para dar o primeiro passo na gestão da sua organização em Branding, procure ter coerência entre discurso e prática e procure levar esta consistência até a experiência que o consumidor final tem com sua marca.

 

Matéria de http://info.abril.com.br/

 

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